13 de jan. de 2010

PETRÔNIO PORTELLA – 30 ANOS DEPOIS

Paes Landim

“Fiz questão que o senador Petrônio Portella ouvisse o nosso diálogo para ele saber o quanto é difícil a missão de Presidente da República”, assim falou o Presidente Ernesto Geisel para Rosalynn Carter, no jantar não oficial que lhe ofereceu no Palácio da Alvorada em julho de 1977.

O governo do Presidente Geisel estava com relações estremecidas, à época, com os EUA. O Acordo Nuclear Brasil-Alemanha havia provocado suspicácias nos EUA, preocupado que o Brasil viesse a dispor de material capaz de produzir a bomba atômica. Por outro lado, as incisivas declarações do então chanceler Azeredo Silveira dizendo que a política externa brasileira não precisava dar satisfações a nenhum país, aumentava o “frisson” entre os dois países.

Nessa linha de política externa, o governo brasileiro estabeleceu as relações diplomáticas com a República Popular da China e foi o primeiro governo ocidental a reconhecer o governo pró-soviético de Angola. Aliás, o governo brasileiro demonstrou toda simpatia pelo movimento militar de Portugal que derrubou o regime salazarista e ao movimento emancipatório das ex-colônias africanas daquele país.

Para agravar o grau de tensão diplomática entre os dois países, o governo brasileiro rompeu o acordo militar com os Estados Unidos. Por sua vez, o governo de Jimmy Carter fazia sérias críticas ao Brasil em razão da sua política de Direitos Humanos.

Nesse contexto, o presidente Jimmy Carter, para tentar restabelecer os laços de amizade entre Brasil e Estados Unidos, articulou a visita ao nosso país, em caráter pessoal, da primeira dama Rosalynn Carter. O governo americano demonstrou interesse da visita pessoal de Rosalynn ao presidente Geisel e ao Congresso e de algumas figuras representativas da sociedade civil, entre elas o então Presidente Nacional da OAB, o grande pensador Raymundo Faoro.

Como a viagem não era de caráter oficial, o presidente Geisel lhe ofereceu um jantar privado no Palácio da Alvorada, tendo sido convidado o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Thompson Flores e o da Câmara dos Deputados, Marcos Maciel, o Presidente do Senado, Petrônio Portella, o Ministro Azeredo da Silveira e o Embaixador dos Estados Unidos no Brasil e mais cerca de outros 4 convidados. Terminado o jantar, o presidente Geisel convidou Rosalynn para sentar-se ao seu lado, no sofá da sala de jantar do Palácio, e chamou também para fazer companhia nessa conversa o Senador Petrônio Portela, além do interprete oficial do Itamaraty.

Nesse diálogo com Rosalynn Carter, com a presença de Petrônio Portella, Geisel começou a descrever para a Primeira Dama dos EUA as dificuldades, as tensões, as noites mal dormidas preocupado com o destino do governo e do Brasil.

Rosalynn, por sua vez, também relatou as dificuldades do seu marido em dirigir os Estados Unidos, Carter era um jovem quando adentrou a Casa Branca e agora estava cheio de cabelos brancos, o que fez Geisel retrucar “Ora, se o Presidente do Brasil passa noites de insônia, imagine o Presidente dos Estados Unidos com a carga de problemas internacionais”.

Petrônio Portella atento a todo aquele diálogo, sem entender bem a razão da sua presença ali. Depois de quase uma hora de conversa, Geisel falou a expressão inicialmente citada, sinalizando a sua marcha inexorável para a Presidência da República. A morte prematura ceifou o seu destino.

4 comentários:

  1. Lembro do grande homem que foi o senador petronio portela. A pesar de ser ligado aos governos militares, soube tambem se comportar como um democlata sesivel aos problemas do nosso país. Tinha muita admiração pelo petronio portela.

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  2. Lembro de um jantar que teve na casa do deputado Teodulo albuquerque, onde o figueiredo era candidato a presidencia, e andava tendo reunião com as bancadas da arena na epoca. Eu estava presente quando chegou o general,pois antes fui avisado da visita pela esposa do deputado,e como responssavel pela zeladoria do predio,mandei que fisesse uma faxima especial no andar.A noite chegou os convidados onde presenciei o senador na epoca petronio portela, ser reclamado pelo deputado nelson marczan, que disia para o petronio que deichasse de fumar e beber, pois ja tinha consumido muito. Tambem lembro que foram os ultimos a sair da residencia do deputado teodulo alburqueque.

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  3. Eu não dou muita importancia a destino. Mas tudo caminhava para petronio ser o candidato, e com certesa o presidente da republica, pois não teria chanse da oposição vencer as eleições, tendo envista o partido do governo era maioria absoluta,no colegio eleitoral.A sim sendo não teria nem maluf nem tancredo e os demais que se apresentasse. Figueiredo tinha petronio como seu candidato,pois não haveria mais lugar para militar na presidencia. Com amorte de tancredo figueiredo tentou o mario andreaza ministro na epoca do interior, mas este perde sua indicação pro maluf na convenção do PDS. Portanto ficou ótimo pro tancredo pois uma grande quantidade de deputados e senadores não queriam o maluf, e se debandaram para o lado do tancredo, que se isso não ocorre não seria candidato, porque ja entraria derrotado. Muita gente não sabe disso.

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  4. Quero retificar sobre o comentario acima; Qis diser com amorte de petronio portela, figueiredo escolheu mario andreaza que perde a indicação dentro do seu proprio partido..

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