17 de mar. de 2010

Paes Landim destaca atuação de José Carlos Azevedo como reitor da UnB na década de 70

Na Edição nº 1624 do dia 11 de março do JORNAL DA CÂMARA foi publicada matéria que comentava a homenagem feita por Paes Landim, em Plenário, ao Professor Azevedo.

Leia, abaixo, na íntegra, a matéria:

"O deputado Paes Landim (PTB-PI) homenageou em Plenário o ex-reitor da Brasil quer evitar novo debate sobre representatividade no Parlasul Universidade de Brasília, José Carlos de Almeida Azevedo, que morreu em 23 de fevereiro último. O baiano Azevedo, lembrou Landim, formado em São Paulo pela Marinha do Brasil, fez mestrado em
engenharia naval e em física nuclear, e depois, doutorado em física, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA. Com a crise institucional que se abateu sobre o Brasil, sobretudo sobre a Universidade de Brasília (UnB), em razão do regime autoritário de 1964, Azevedo assumiu, de início a vice-reitoria da instituição, “que passava por séria crise de sobrevivência, com 250 professores demitidos pelo reitor Laerte de Carvalho”.

À época, descreveu Landim, havia certa inquietação na linha dura militar sobre a conveniência de a UnB sobreviver ou não, já que, segundo eles, seria um foco de tensão permanente com o regime militar. “Azevedo tornou-se vice-reitor da instituição como pessoa de confiança do establishment militar, a fim de tranquilizar a linha dura e o próprio governo, na época do presidente Costa e Silva, e dar estabique de certa maneira provocava fricções entre ele e o próprio establishment.”

Ampliação da UnB - Citando o professor e sociólogo Vamireh Chacon, Landim afirmou que, sem Azevedo, o projeto de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro não teria se consolidado. Como relatou o deputado, Azevedo construiu várias unidades e prédios, inclusive a Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, que envolvia os cursos de Direito, Ciências Políticas, Relações Internacionais, Biblioteconomia e Administração.

“É de se destacar, por paradoxal que pareça, em pleno regime autoritário, que foi exatamente na gestão do professor
José Carlos de Almeida Azevedo que a Editora Universidade de Brasília foi revigorada e publicou possivelmente na América Latina as mais importantes publicações do pensamento liberal, o pensamento que defendia a democracia como regime, regime que possibilita o afloramento da liberdade individual”, destacou Paes Landim, ao lembrar ainda que o Departamento de Ciências Políticas e Relações Internacionais foi criado na gestão Azevedo.

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul vai empenhar-se para evitar a reabertura da negociação sobre o número de representantes de cada país do bloco - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - no órgão legislativo regional. A estratégia foi sugerida pelo representante permanente do Brasil junto ao Mercosul, embaixador Regis Arslanian, a deputados e senadores brasileiros, em encontro ontem, antes da 22ª sessão plenária do Parlasul, em Montevidéu.

Uma recomendação sobre a distribuição de assentos já foi aprovada pelo parlamento e enviada ao Conselho do Mercado Comum, principal órgão decisório do bloco, ao qual cabe a última palavra sobre o tema. De acordo com a proposta negociada pelos países, na primeira etapa do processo de transição o Brasil teria direito a 37 cadeiras, enquanto a Argentina ficaria com 26 e Uruguai e Paraguai teriam 18 cada um.

Em uma segunda etapa, o Brasil poderia contar com 75 representantes. Após o acordo, porém, a delegação argentina solicitou que a decisão fosse revista pelo parlamento.

Eleições diretas - Integrantes da Representação Brasileira defendem a realização das primeiras eleições diretas para a escolha de parlamentares do Mercosul já em 2012 – os atuais membros, nove senadores e nove deputados, Rodolfo Stuckert lidade à Universidade de Brasília”, relatou o deputado, ao lembrar que Azevedo foi reitor da UnB de 1976 a 1985.

Paradoxo - Na análise de Paes Landim, havia um paradoxo da atuação de Azevedo na UnB: “Se, por um lado, ele podia ter externamente a imagem de um homem vinculado à linha dura, por outro, enfrentava setores do próprio governo; até porque nunca submeteu aos órgãos de inteligência o nome de qualquer professor que fosse submetido a sua apreciação para ser contratado pelos departamentos da universidade”.

Segundo o deputado, vindo dos Estados Unidos, Azevedo trouxe para a Universidade de Brasília a visão americana a respeito do ensino. Como exemplo, Landim citou que Azevedo preferia que os departamentos tivessem a liberdade de encaminhar à reitoria os nomes dos professores que iriam compor os seus quadros, dentro dos critérios de excelência.

“Ele confiava exatamente no bom senso e na avaliação dos chefes dos departamentos, dos diretores dos institutos. Ele os nomeava sem consultar os órgãos de inteligência do governo, o que de certa maneira provocava fricções entre ele e o próprio establishment.”

Ampliação da UnB - Citando o professor e sociólogo Vamireh Chacon, Landim afirmou que, sem Azevedo, o projeto de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro não teria se consolidado. Como relatou o deputado, Azevedo construiu várias unidades e prédios, inclusive a Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, que envolvia os cursos de Direito, Ciências Políticas, Relações Internacionais, Biblioteconomia e Administração.

“É de se destacar, por paradoxal que pareça, em pleno regime autoritário, que foi exatamente na gestão do professor José Carlos de Almeida Azevedo que a Editora Universidade de Brasília foi revigorada e publicou possivelmente na América Latina as mais importantes publicações do pensamento liberal, o pensamento que defendia a democracia como regime, regime que possibilita o afloramento da liberdade individual”, destacou Paes Landim, ao lembrar ainda que o Departamento de Ciências Políticas e Relações Internacionais foi criado na gestão Azevedo."

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